A expressão “pensar fora da caixa” surgiu a mais de 20 anos, quando uma consultoria de estratégia passou a divulgar seu serviço usando um desafio gráfico, no qual era preciso unir nove bolinhas dentro de um retângulo, como se fosse uma caixinha, usando apenas quatro segmentos de reta. Segundo Ricardo Neves, autor do livro “Tempo de pensar fora da caixa”, para resolver esse quebra-cabeça, em geral, as pessoas demoravam muito tempo fazendo tentativas frustradas. Só quando alguém tinha um insight de que o retângulo poderia ser ignorado – e isso equivale a tirar fora a caixa representada pelo retângulo – é que eram visualizadas soluções alternativas, que saltavam aos olhos pelo fato de a caixa ter sido posta de lado.
A propaganda foi de fato muito boa para uma empresa consultiva: mostra que, em estratégia, o mais importante é a capacidade de ter insights e evitar a cegueira e a miopia provocadas pelos hábitos cotidianos e pela atitude “mais-do-mesmo”. Desde então, a expressão se tornou um sinônimo da capacidade de encontrar soluções que não são óbvias ou ortodoxas. Com isso, o pensar fora da caixa praticamente se tornou um requisito obrigatório nos processos seletivos que tinham como objetivo identificar pessoas capazes de propor e participar de processos de inovação.
A interpretação do comportamento “pensar fora da caixa” tinha e tem diversas vertentes, desde aquelas que sugerem que ser inovador é ter idéias novas sem estrutura prévia, até mesmo, propor ações menos complexas e que trazem melhoria imediata. No entanto, se pegarmos como exemplo os produtos Apple, nos quais Steve Jobs conseguiu gerar experiência de compra desde a abertura da embalagem à utilização dos seus equipamentos a partir de um mesmo botão, podemos concluir que o quebra-cabeça do pensar fora da caixa está de cara nova.
Por isso, quando me deparo com pessoas dizendo sobre o pensar fora da caixa, logo me pergunto: Qual caixa? Aonde é fora ou aonde é dentro? Acredito que no mundo atual onde a realidade virtual não é mais uma novidade e a inovação é algo constante, a pergunta que fica pra mim é: Estamos usando a caixa certa como referência? É preciso uma caixa? Sabemos, hoje, definir o que é o pensar fora da caixa?
Traduzir tendências, ter novas ideias e tudo isso se transformar em inovação é um caminho e tanto, mas trilhá-lo pode ser um aprendizado constante, já que a caixa e o fora dela somos nós que criamos.
Fica a dica: reveja o mesmo, pense no novo e simplifique a trilha, assim teremos caixas mais customizadas e foras mais factíveis.
Fonte: Cia de Talentos
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